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As descobertas que levaram a uma nova visão de mundo

Há um século os cientistas vêm descobrindo novos aspectos da realidade e colocando de ponta-cabeça o universo que aprendemos a conhecer tanto como mecânico e previsível, quanto governado por leis rígidas e imutáveis. Einstein, com sua Teoria da Relatividade, e Planck, com seu estudo sobre o quantum,  são considerados os iniciadores,  ainda no alvorecer do século XX, dessa assombrosa mudança. Faça agora um passeio pelos principais pressupostos científicos da Física Quântica:

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Teoria da Relatividade

A teoria desenvolvida pelo físico alemão Albert Einstein sustenta a noção de que não há movimentos absolutos no Universo, apenas relativos. Qualquer movimento é relativo a algum sistema de referência escolhido (para conveniência de quem está estudando o movimento). Sob essa perspectiva, o espaço e o tempo desaparecem como entidades independentes e são substituídos pelo conceito espaço-tempo. Einstein também definiu a inter-relação existente entre massa e energia, traduzida na equação: E = mc² ou Energia (E) é igual à massa (m), multiplicada pelo quadrado da luz  (c²).

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Teoria Quântica

O físico alemão Max Planck é considerado o pai da teoria quântica. Seu objeto de estudo foi o mundo microscópico, dos elétrons e das partículas subatômicas, buscando encontrar resposta para uma pergunta em especial: se a matéria é feita de átomos, por que a energia não seria? Nasceu assim a Teoria do Quantum, que descreve a troca de energia entre corpos ou como os elétrons absorvem e emitem energia radiante. Segundo Planck, essa transmissão seria feita por saltos, na transição de uma órbita  para a outra, pois, ao absorver energia, o eletrón saltaria para uma órbita mais externa (conceito quantum) e, ao emiti-la, passaria para outra mais interna (conceito fóton).

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Teoria da Dualidade: Partículas e Ondas

Por uma combinação muito simples da fórmula de Einstein, que relacionava massa e energia, com a de Planck, que relacionava frequência e energia, o físico francês De Broglie demonstrou que o elétron não era apenas uma partícula, mas uma forma de onda. A idéia de que a matéria não passava de um aspecto da energia e de que ambas eram interconvertíveis tornou-se mais evidente quando se pôde ver que partículas eram sempre semelhantes a ondas, e ondas sempre semelhantes a partículas. Massa e energia passaram a significar a mesma coisa.

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Princípio da Onda Estacionária – um novo modelo de átomo

O físico austríaco Erwin Schrödinger acreditou que o modelo de átomo proposto pelo dinamarquês Niels Bohr podia ser modificado, levando-se em conta essas ondas. Elaborou, assim, a teoria segundo a qual o elétron não evoluía em torno de um núcleo, mas era apenas uma onda estacionária constante formada em torno dele.

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Princípio das Probabilidades

O físico alemão Max Born percebeu que a função de onda deveria ser interpretada em termos de probabilidades. Quando os físicos experimentais medem a posição de um elétron, a probabilidade de encontrá-lo em uma região determinada depende da magnitude da função de onda nessa região. Essa interpretação concedia ao acaso um papel fundamental nas leis da natureza.

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Princípio de Complementaridade

A representação de um elétron ao mesmo tempo como partícula e como onda levou o físico Niels Bohr a observar que um fenômeno pode ser encarado de duas maneiras que se excluem mutuamente, permanecendo válidas, em seus próprios termos, as duas maneiras de considerá-lo.

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Princípio da Incerteza

Deve-se ao físico alemão Werner Karl Heisenberg a constatação de que é impossível fazer uma determinação exata e simultânea da posição e do momento (produto da massa pela velocidade) de qualquer corpo. Quanto mais exata for uma, mais falsa será a outra. Em consequência disso, caiu por terra a visão puramente determinística do astrônomo e matemático francês Laplace, que sustentava que toda a história do universo, passada e futura, podia ser calculada se a posição e a velocidade de cada uma de suas partículas fosse conhecida a qualquer instante do tempo.

Modernamente, com base em estudos cada vez mais aprofundados, essas descobertas estão ganhando contornos de Leis Quânticas. Veja as mais comentadas:

Superposition / Superposição

As partículas podem estar em vários lugares ao mesmo tempo.

Wave – Particle Duality / Dualidade Onda – Partícula

As partículas podem se comportar como ondas, espalhando-se no espaço e no tempo.

Entanglement / Entrelaçamento

As partículas podem estar interligadas a grandes distâncias.

Bose – Einstein Condensates / Condensados Bose – Einstein

As partículas podem estar unificadas em um grande estado (de energia/matéria), regidos por uma função de onda.

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Colapso da função de onda

Aqui se revela o mais estranho comportamento dos elementos quânticos. Quando observados, os elétrons só apresentam a função ou o comportamento de partículas.  Como tenta explicar o professor de Física Amit Goswami, da Universidade de Oregon, EUA (no documentário “Quem Somos Nós” 2): “Quando não se está olhando, existem ondas de possibilidades. Quando se está olhando, existem partículas de experiência.”

Entenda o que era e o que está mudando, a partir das contribuições da Física Quântica ao nosso viver cotidiano:

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Visão de mundo que

prevalece até hoje

  • Materialista, mecanicista e determinística.
  • Dividida: a Igreja fica com o invisível, o que é oculto: a Ciência, com o que é visível e, portanto, pode ser quantificado, medido e experimentado.
  • Pré-determinada: os homens são como pequenas máquinas, operando em um universo mecânico e previsível, governado por leis rígidas e imutáveis.
  • Símbolo da ordem do mundo: o relógio (de acordo com a compreensão determinística do astrônomo e matemático francês Laplace, ao sustentar que toda a história do universo, passada e futura, podia ser calculada se a posição e a velocidade de cada uma de suas partículas fosse conhecida a qualquer instante do tempo – tese derrotada pela Física Quântica, com o Princípio da Incerteza, formulado por Heisenberg).
  • Frase que explica: A ordem é redundante.

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Nova visão de mundo

  • A matéria é apenas um aspecto da energia.
  • Não há como separar o visível do invisível, uma vez que somos campos de energia operando em um campo de energia ainda maior.
  • Nossa consciência, nossos pensamentos e intenções definem a realidade que queremos viver.
  • Estamos todos interconectados em inúmeros sistemas superpostos, que se influenciam uns aos outros.
  • A realidade é feita de tendências potenciais.
  • O caos é aparente porque existem padrões de diferentes níveis de complexidade a “organizá-lo” (os fractais, por exemplo).
  • Símbolo do caos do mundo: Efeito Borboleta (não se pode determinar a maioria dos sistemas por causa da chamada “dependência sensível das condições iniciais”. Usando como exemplo um sistema metereológico, uma pequena borboleta, batendo as asas na Amazônia, poderia causar um tornado no Texas).
  • Frase que explica: O caos é informativo.

Que tal dar uma espiadinha lá fora?

Caverna360difusaoImagine-se vivendo em uma caverna, onde prospera uma comunidade que acredita ser o mundo apenas aquele definido pelos limites estreitos de seu abrigo, um lugar desconfortável, mas seguro, pela perspectiva da continuidade.

Imagine-se, agora, como alguém curioso, um pouco rebelde, que não acredita que a realidade se esgote apenas no que vê. Alguém para quem parece haver mais, no invisível, no impalpável, no que apenas se sente ou se percebe pela intuição.

Aquelas réstias de luz, que passam sorrateiras por alguns orifícios da caverna, e que até então não haviam sido explicadas por ninguém, sugerem novas e atraentes possibilidades. Por que não tentar, por que não experimentar?

Movido por essa vontade de conhecer, você vai, com muita paciência e por um longo tempo, alargando essas frestas, até que consegue sair da caverna. Primeiro, fica quase cego pela luz. Depois, quando seus olhos se acostumam à claridade, às formas, às cores, à imensidão, você se maravilha.

 

Essa mesma sensação de encantamento vem sendo compartilhada por quem começa a entender as implicações, em seu cotidiano, de um conjunto de descobertas científicas feitas ao longo do século XX e que possibilitaram o nascimento da Física Quântica, também chamada, dada a abertura de conhecimentos que trouxe, de Nova Ciência.

 

Num salto, que levou 100 anos para se completar, o determinismo, o mecanicismo e o materialismo, que caracterizavam a ciência até então, foram relegados a explicar apenas parte – o que se pode ver, medir, quantificar, determinar – de um todo muito maior.

 

Começando com as Teorias da Relatividade e Quântica, passando por descobertas muito estranhas sobre o comportamento das partículas componentes do átomo e chegando à impossibilidade da determinação exata e simultânea da posição e velocidade de um corpo, registrada no Princípio da Incerteza, os cientistas ficaram espantados. Onde esperavam encontrar respostas definitivas, acabaram deparando com explicações intrigantes, que levaram não mais a outras perguntas, mas a reflexões filosóficas.

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Afinal, constataram, tudo parece ser energia e a matéria – nossa realidade visível – retrata somente um de seus aspectos potenciais. Outro fator desconcertante foi observar que a regularidade cronológica a que estávamos acostumados – com passado, presente e futuro bem definidos em segundos, minutos e horas escoando em um único sentido – funcionava muito bem sob o ponto de vista do relógio – até então, a representação mais perfeita do padrão de previsibilidade do universo. Mas explicava apenas uma pequena parte dos fatos, sob o ponto de vista da relatividade.

 

O tempo revelou-se tão mais amplo que foi preciso reconsiderá-lo como uma quarta dimensão, e alargar nossa visão para além do restrito traçado espacial  – onde comprimento, largura e altura são passíveis de dimensionamento –, abarcando assim o abstrato conceito do contínuo espaço-tempo, em que não há uma rígida precisão cronológica, mas apenas um fluir por ondas de eventos.

 

Mas foi no microcosmo dos elementos atômicos – componentes essenciais do tecido formador da realidade em que vivemos – que as surpresas se sucederam vertiginosamente. Além de constatarem que eram os elétrons os responsáveis pela transmissão da energia entre os átomos (por meio de minúsculos “pacotes” energéticos, denominados “quanta” ou “quantum”, no singular, daí o nome Quântica), os cientistas deram-se conta do estranho comportamento das partículas – os microscópicos “pontos” de matéria que compõem a estrutura do átomo.

 

Neste mundo fundamental para a nossa existência, já que somos feitos, em essência, de somatória de átomos, os cientistas verificaram que as partículas estão entrelaçadas, interligadas, mesmo a grandes distâncias. Observaram ainda que as partículas podem se comportar, simultaneamente, como ondas (ondas de energia é o que se supõe), e estar superpostas em vários lugares ao mesmo tempo.

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Essa constatação abriria espaço para a suposição de existência de mais de uma “realidade”, além daquela com a qual estamos acostumados a nos relacionar por meio de nossos sentidos. Tanto no nível macro, do universo, levando-nos a imaginar a possibilidade de outras dimensões; quanto no nível micro, do nosso cotidiano, com a idéia de que existiriam potenciais de realidade a explorar ou, dito de outra forma, os eventos em nossas vidas não estariam predestinados a ocorrer, mas teriam tendência a ocorrer.

 

A descoberta seguinte, no nível das partículas, permitiria entender melhor o aparente enigma anterior. Ao fazer experiências com os elementos atômicos, buscando detectar quando agiam como partículas e quando se comportavam como ondas, os estudiosos foram surpreendidos – mais uma vez – com a comprovação de que só dependia deles obter um ou outro resultado.

 

Verificaram que a natureza do comportamento dos elementos atômicos se estabelecia pela expectativa expressa do observador. Onde se esperava encontrar partículas, lá estavam elas; onde se esperava encontrar ondas, também lá estavam elas. Era como se o esperado se refletisse na experiência ou, explicado de outra maneira, não existiriam propriedades objetivas na realidade, independentes da mente do observador. A esse “fenômeno” foi dado o nome de “colapso da função de onda”.

 

De tão inovador e assustador o conceito, já que exigiria uma mudança completa de nossa forma de ver o mundo, os cientistas preferiram deixar para pensar a respeito “depois” e agir de forma pragmática. Varreram a reflexão filosófica para debaixo do tapete e seguiram um dito muito popular em seu meio: “Cale-se e calcule”.

 

E foi assim, com base em muitos cálculos, que todas essas descobertas puderam ser aplicadas ao concreto do dia-a-dia, trazendo um grande avanço tecnológico. Dos transístores aos chips, passando pelos semicondutores, o desvendamento do microcosmo atômico possibilitou a revolução digital que estamos vivendo: carros com injeção eletrônica, calculadoras, relógios digitais, controle remoto, celulares, aparelhos de fax, equipamentos médicos, robôs, videocassetes, rádio-relógios, impressoras, computadores…

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No horizonte já se delineia, inclusive, a computação quântica, que vai se valer da manipulação de átomos, moléculas e suas partículas subatômicas para processar informações. A eletrônica molecular ou “moletronics”, como está sendo chamada, prevê o desenvolvimento de superchips do tamanho de grãos de areia e até cem bilhões de vezes mais rápidos do que o mais rápido processador do momento.

 

Mas será que vamos nos contentar com isso? Fazer cálculos e aplicá-los na tecnologia ? Esquecer que essas descobertas estão tentando nos mostrar que há mais do que matéria? Que o que não se vê, não se pega, não se mede, nem se quantifica, pode nos explicar melhor o que é a vida? Que não estamos à parte do todo, mas que somos parte do todo e, por isso, interconectados uns com os outros em uma grande rede de energia? Que o mundo pode ser melhor, desde que nos disponhamos a viver a mais positiva das realidades disponíveis? Que não estamos sujeitos ao acaso, mas comandamos nossas próprias vidas, definindo as experiências que queremos ter?

 

Sair da caverna não é fácil, mas o novo mundo que nos espera lá fora bem compensa a coragem e o esforço necessários para, pelo menos, dar uma espiadinha.

A ansiedade e o conceito espaço-tempo

Tudo é relativo, do ponto de vista de quem observa os acontecimentos.

Tudo tem seu tempo. Em linhas gerais, passado, presente e futuro.

Tudo acontece em um espaço que lhe é próprio, dentro e fora de nós, simultaneamente.

 

esptempo150A teoria da relatividade,  desenvolvida pelo físico alemão Albert Einstein, sustenta a noção de que não há movimentos absolutos no universo, apenas relativos. Qualquer movimento é relativo a algum sistema de referência escolhido (para conveniência de quem está estudando o movimento). Sob essa perspectiva, o espaço e o tempo desaparecem como entidades independentes e são substituídos pelo conceito espaço-tempo.

 

Onde está o observador – nós mesmos – está o nosso espaço. E o tempo que temos à disposição é este momento, o presente, o agora.

Existe ansiedade quando nos deslocamos mentalmente para o passado ou para o futuro e deixamos de preencher nosso espaço no presente com energia e atenção.

Pode ser surpreendente descobrir se vivemos de fato o momento presente.

Observe-se. Quanto da angústia, do desconforto, dos receios que porventura esteja vivenciando têm relação com este momento? Mais provável que tenham relação com fatos passados ou com preocupações a respeito do futuro.

E como não se pode voltar ao passado ou alcançar o futuro neste momento, vem a ansiedade, na forma de uma angustiosa sensação de pressa; de impotência; de sofrimento constante; de nervosismo; de exasperação; de desespero; de uma ou mais noites de insônia…

Quando você se conecta com o momento que efetivamente está vivendo, o passado perde a força e o futuro, a inevitabilidade. Ao concentrar sua energia no agora, você conquista poder para direcionar sua vida da forma que considerar mais adequada.

Respire fundo e concentre-se no momento que está vivendo. Observe-se.

Acalme sua mente e coloque sua atenção neste momento. Onde você está. Como são as coisas à sua voltas. E você: seu nível de relaxamento; seus gestos; suas sensações – de conforto, calor, frio; sua percepção quanto à luminosidade que entra pela janela, à água que escorre sobre suas mãos, de como você respira, à forma como anda – a força que coloca em cada passada, à tepidez do contato de sua mão sobre o seu braço…

Essa experiência vai ajudá-lo a se conectar com o presente. Pode ser que a sensação de tranquilidade decorrente, que vai lhe dar uma visão geral mais otimista sobre sua vida, não dure muito. Mas se valeu a pena fazer o contato, repita a experiência sempre que seus pensamentos insistirem em voar para o futuro ou ficarem tentados a mergulhar no passado. Principalmente, surpreenda-se com as muitas descobertas em relação à riqueza que existe em seu presente.

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