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Para ser considerado de qualidade, o texto precisa ser consistente. Isso significa, em essência, “esgotar” o assunto abordado, oferecendo ao leitor o máximo possível de informações relacionadas ao tema.

Para uma boa “exploração” do assunto vale recorrer à técnica jornalística e às seis perguntas básicas que todo profissional da área usa como roteiro para orientar suas reportagens.

Veja quais são:

O QUÊ? – O que aconteceu? O que está acontecendo? O que acontecerá?

QUANDO? – Em que período, em que momento, em que data etc. aconteceu, está acontecendo, acontecerá?

ONDE? – Em que lugar, em que contexto etc. aconteceu,  está acontecendo, acontecerá?

QUEM? – Quem participou, está participando, participará; organizou, está organizando, organizará; foi alvo, está sendo alvo, será alvo etc. do acontecimento?

COMO? – Em que circunstâncias, situação etc. se deu, está se dando, se dará o fato?

POR QUÊ? – Por que o fato aconteceu, está acontecendo, acontecerá? Quais consequências o fato acarretou, está acarretando, poderá acarretar?

Ao usar as seis perguntas “clássicas” como base para desenvolver o conteúdo de um texto informativo em qualquer formato (comunicado, carta, e-mail, relatório, projeto etc.), vamos obter um texto, no mínimo, CONSISTENTE.

Veja como o “mecanismo” funciona:

Um Diretor de Planejamento precisa escrever um e-mail, convocando vários funcionários da empresa para uma reunião. Como ele exploraria este assunto antes de escrever, tendo em vista não deixar de fora nenhuma informação importante?

O quê? – O principal fato, objetivo, do e-mail é a reunião.

Quando? – A reunião foi programada para o dia 27 de julho, às 16h00.

Onde? – A reunião será realizada na sala da Diretoria de Planejamento.

Quem? – Quem está convocando a reunião é o Diretor de Planejamento e quem está sendo convocado para a reunião são os Gerentes das áreas Financeira, de Contabilidade, de Recursos Humanos, Industrial e Comercial.

Por quê? – O motivo da reunião é o planejamento financeiro da empresa para o fim de ano, que traz despesas adicionais de vulto relacionadas ao pagamento de décimo-terceiro aos funcionários.

Como? – O Diretor de Planejamento espera definir um plano de ação, com base nas ideias e sugestões dos participantes, e na previsão de recebimentos e custos da empresa até o o período de pagamento do décimo-terceiro aos funcionários.

Deu para perceber como esse questionário básico facilita o desenvolvimento da escrita? Nenhuma informação importante vai ser esquecida.

Reuniao2

Vamos ao texto:

O “formato” e-mail traz algumas facilidades que vamos aproveitar neste caso, como o De, o Para e o Assunto, que já resolvem o “Quem” (quem está convocando a reunião e quem está sendo convocado) e o “O Que” (o fato, ou seja, trata-se de uma reunião sobre pagamento de décimo-terceiro).

De: Diretor de Planejamento

Para: Gerente Financeiro; Gerente Contabilidade; Gerente Recursos Humanos; Gerente Industrial; Gerente Comercial

Assunto: Reunião sobre pagamento de décimo-terceiro

Solicito sua presença em reunião a ser realizada na sala da Diretoria de Planejamento, no dia 27 de julho, às 16h00.

O objetivo é tratar do planejamento financeiro da empresa para o período de novembro e dezembro próximos, quando efetuamos o pagamento do décimo-terceiro aos funcionários.

Para traçarmos o melhor plano de ação, conto com suas ideias e sugestões e também com as estimativas de custos, vendas, produção e faturamento previstas para o período.

Atenciosamente,

Diretor de Planejamento

 

Além de deixar o texto consistente, o sexteto de perguntas ajuda a direcionar o fluxo das ideias por escrito e a dar à comunicação uma forma mais clara e objetiva.

 

Nos próximos posts, título e enfoque, outros recursos jornalísticos que nos ajudam a escrever textos consistentes, claros e objetivos.

 

 

Publicado pela Editora Pensamento, o livro “14 Lições de Filosofia Yogue” traz esclarecimentos do mestre yogue Ramacharaca sobre o milenar conhecimento espiritual do Oriente.

A origem do livro é bem curiosa, já que se trata da compilação de aulas dadas pelo mestre yogue, por correspondência e em inglês, durante o ano de 1904. A primeira versão em português foi publicada em 1910.

Além de sabedoria, Ramacharaca – um dos pseudônimos do estudioso norte-americano William Walker Atkinson (1862 -1932) – esbanja doçura e compreensão por seus leitores ou, melhor, “aprendizes”. “O mestre oriental sabe que muitos dos seus ensinamentos são apenas a semeadura”, esclarece na primeira lição do livro, “e que, para cada ideia que o estudante assimile no começo, haverá um cento que virá ao campo do conhecimento consciente somente depois de um certo lapso.”

Espiritualidade2

Ele pede confiança, mas nunca crença cega: “Este é o caminho”, continua a explicar ainda no primeiro capítulo, “então, nele e na vereda encontrarás as coisas das quais te tenho falado; apalpa-as, pesa-as, mede-as, examina-as e reconhece-as por ti mesmo. Quando chegares a certo ponto do caminho, saberás tanto a seu respeito como eu ou qualquer outra alma nessa mesma etapa da jornada (…). Não aceites nada como definitivo, enquanto não o houverdes comprovado; porém, se és prudente, aproveitarás o conselho e a experiência daqueles que foram primeiro.”

Entre as “14 lições”, o leitor encontrará ensinamentos interessantes sobre princípios mentais e espirituais; aura e magnetismo; dinâmica do pensamento; influência psíquica; mundo astral; causa e efeito;  evolução espiritual…

Veja, a seguir, um trecho da nona lição, denominada “Influência Psíquica”, que explica como o mantra EU SOU pode nos ajudar a desenvolver a confiança em nosso próprio poder:

Espiritualidade

“A atitude mental expressa pela afirmação EU SOU vos rodeará como uma aura mental, que atuará como um escudo protetor até o tempo em que tenhais adquirido completamente a consciência mais elevada, a qual traz consigo uma sensação de confiança própria, segurança e força.

Desse ponto em diante, vos conscientizareis gradualmente de que, quando dizeis EU, não falais somente da entidade individual, com toda a sua força e poder, mas do espírito que o EU tem atrás de si, unido a um inesgotável depósito de força, que pode ser utilizado sempre que necessário.

Tal pessoa jamais pode experimentar o temor porque se elevou acima dele. O temor é a manifestação da fraqueza e, por tanto tempo quanto o alimentemos, considerando-o um amigo íntimo, estaremos abertos e indefesos às influências dos outros.

Mas, lançando para um lado o temor, nos elevamos alguns passos na escala e nos pomos em contato com o forte, intrépido e valoroso pensamento do mundo, deixando atrás de nós a antiga debilidade e aflições da vida.

Quando o homem aprende que nada realmente pode prejudicá-lo, o temor parece-lhe uma estupidez. Quando o homem acorda à compreensão de sua natureza e destino, sabe que nada pode prejudicá-lo e, consequentemente, o temor é abandonado.

Foi bem dito: “Nada há a temer senão o temor”.

A abolição do temor põe nas mãos do homem uma arma de defesa e poder que o torna quase invencível.

Por que não aceitais esse dom, que livremente vos é oferecido?

Que o vosso lema seja:  EU SOU.  SOU LIVRE E NADA TEMO.”

Yogue Ramacharaca

 

 

Temos a ideia, o argumento, a informação, a mensagem, mas não sabemos como “transformá-la” em frase ou frases que expressem claramente nosso pensamento e, ao mesmo tempo, envolvam, persuadam e encantem o leitor.

Um dos recursos disponíveis para nos ajudar nessa tarefa parece, pelo nome, “coisa do outro mundo”. Com certeza, um mundo do passado, pois, em geral, estudamos essa “lição” nos “tempos idos” do colégio e ainda agregada à categoria da Estilística, o que nos fazia crer que era algo – o tal recurso – reservado apenas aos iniciados.

Na verdade, nem uma coisa, nem outra. As Figuras de Linguagem, apesar dos nomes às vezes enigmáticos, às vezes assustadores, com que foram batizadas, podem ser muito úteis quando se trata de escrever melhor.

Para começar, vamos saber o que significa exatamente uma Figura de Linguagem.

Esse é o nome dado à forma de expressão que foge da norma rigorosa (aproveita-a de um outro jeito, com inventividade), podendo apresentar alterações fonéticas (relativas a som), morfológicas (relativas à forma) ou sintáticas (relativas à construção gramatical). Portanto, podemos entendê-las como “ousadias” no uso da linguagem. Bem aproveitadas, costumam causar expressivo efeito. Conheça (e aproveite) algumas delas:

 

COMPARAÇÃO – Consiste em associar imagens distintas, mas com semelhanças subjetivas. A ideia é conseguir um efeito emocional, envolvente, que toque o coração. Na comparação, as imagens são unidas por conectivos – como, tal qual, assim como, tanto quanto etc..

Viu-se, então, velho e solitário, tal qual uma vela de chama frouxa, deixada a consumir-se sobre o aparador.

 

METÁFORA – Consiste em utilizar uma imagem em um contexto que não lhe é próprio, o que a faz desviar-se de seu significado original para assumir outro, em geral mais poético.

Mergulhei, mesmo temendo as manchas aladas e seus bicos pontiagudos, a furar a flor das águas.

Pássaros

METONÍMIA – Consiste em utilizar uma palavra por outra, que a representa igualmente, mas com sentido mais específico ou mais genérico do que o original, produzindo frases mais enfáticas, veementes.

Que pessoa sem coração!

sem coração = cruel

***

Meus cabelos brancos têm histórias para contar.

cabelos brancos = velhice, idade, sabedoria, experiência

 

SINESTESIA – Consiste em utilizar percepções, advindas de um sentido (audição, visão, tato, olfato, paladar), em outro sentido, visando obter grande efeito expressivo.

Com voz quente e acariciante, declamou versos apaixonados.

***

Endereçou-lhe um olhar cortante, do qual nunca mais se esqueceria.

***

Eram palavras perfumadas aquelas que ele lhe reservara.

Pontuarcoracao

ANTÍTESE – Consiste em aproximar palavras (frases, imagens) de sentido oposto, visando obter grande efeito expressivo.

Vida e morte, discursos diferentes para a mesma e impenetrável lógica; pontas opostas de um mesmo e onipotente destino.

***

Com a tempestade, o dia virou noite e o burburinho diluiu-se em silêncio tumular.

 

GRADAÇÃO – Consiste em desenvolver uma sequência de ideias, em ordem ascendente ou descendente, para dar força, enfatizar um raciocínio ou uma emoção.

Sob os viadutos, em que viceja um fervilhante e sórdido submundo, nada escapa, nem os ratos, parceiros noturnos, sombras soturnas, fantasmas.

***

Aquela ideia espalhou-se como luz, clareando, iluminando, abrilhantando, esclarecendo o mundo até então mergulhado nas trevas.

Eletronsraio190

ELIPSE – Consiste em uma economia de palavras (omissão propositada de termos que podem ser facilmente subentendidos), com o objetivo de dar mais leveza ao texto.

Sei que se o visse nada seria como antes, não mais a palpitação, o fogo lento, a me consumir docemente.

…não mais (sentiria) a palpitação

***

Os vencidos confortam os vencedores, os humildes recebem o reino de Deus e os pequeninos, a inocência eterna.

e os pequeninos (recebem) a inocência eterna

***

Tão bonito e elegante, tinha a impressão de conhecê-lo, mas como seria possível?

(Ele era) tão bonito e elegante (…) mas como (isso) seria possível?

 

INVERSÃO – Consiste em alterar a ordem normal dos termos ou frases, visando destacá-los do contexto. Em geral, o termo ou a frase a serem realçados são colocados no início do período.

Sonhos todos nós temos, o difícil é realizá-los.

***

Tão leve estou que já nem sombra tenho.”

Mário Quintana / Poeta

 

REPETIÇÃO (ou ALITERAÇÃO ou ASSONÂNCIA) – Consiste em repetir palavras ou sons consonantais (ALITERAÇÃO) e vocálicos (ASSONÂNCIA) iguais ou semelhantes, visando dar ritmo, ênfase e colorido à frase.

Ele se sentia cansado e fraco; fraco e desanimado; desanimado e sem esperança. Era isso, ele se sentia desesperançado.

***

Gira, rodopia, em calor amarelo, caramelo, o sol,

no infinito sem cor definida, a não ser a do mistério.

Solestilizado

ONOMATOPEIA – Consiste em aproveitar palavras cujo som se assemelha àquele que se quer representar. A utilização desse recurso traz ritmo, melodia e colorido ao texto.

 “Splish, splash fez o beijo que eu dei

 nela dentro do cinema…”

Roberto e Erasmo Carlos / Músicos

***

… o roçar da toalha branca,

de neve rendada,

o tilintar da fina porcelana,

tocada de leve

pelos talheres de prata…

 

 

Há um século os cientistas vêm descobrindo novos aspectos da realidade e colocando de ponta-cabeça o universo que aprendemos a conhecer tanto como mecânico e previsível, quanto governado por leis rígidas e imutáveis. Einstein, com sua Teoria da Relatividade, e Planck, com seu estudo sobre o quantum,  são considerados os iniciadores,  ainda no alvorecer do século XX, dessa assombrosa mudança. Faça agora um passeio pelos principais pressupostos científicos da Física Quântica: 

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Teoria da Relatividade

A teoria desenvolvida pelo físico alemão Albert Einstein sustenta a noção de que não há movimentos absolutos no Universo, apenas relativos. Qualquer movimento é relativo a algum sistema de referência escolhido (para conveniência de quem está estudando o movimento). Sob essa perspectiva, o espaço e o tempo desaparecem como entidades independentes e são substituídos pelo conceito espaço-tempo. Einstein também definiu a inter-relação existente entre massa e energia, traduzida na equação: E = mc²  ou Energia (E) é igual à massa (m), multiplicada pelo quadrado da luz  (c²).

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Teoria Quântica

O físico alemão Max Planck é considerado o pai da teoria quântica. Seu objeto de estudo foi o mundo microscópico, dos elétrons e das partículas subatômicas, buscando encontrar resposta para uma pergunta em especial: se a matéria é feita de átomos, por que a energia não seria? Nasceu assim a Teoria do Quantum, que descreve a troca de energia entre corpos ou como os elétrons absorvem e emitem energia radiante. Segundo Planck, essa transmissão seria feita por saltos, na transição de uma órbita  para a outra, pois, ao absorver energia, o eletrón saltaria para uma órbita mais externa (conceito quantum) e, ao emiti-la, passaria para outra mais interna (conceito fóton).

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Teoria da Dualidade: Partículas e Ondas 

Por uma combinação muito simples da fórmula de Einstein, que relacionava massa e energia, com a de Planck, que relacionava frequência e energia, o físico francês De Broglie demonstrou que o elétron não era apenas uma partícula, mas uma forma de onda. A idéia de que a matéria não passava de um aspecto da energia e de que ambas eram interconvertíveis tornou-se mais evidente quando se pôde ver que partículas eram sempre semelhantes a ondas, e ondas sempre semelhantes a partículas. Massa e energia passaram a significar a mesma coisa.

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Princípio da Onda Estacionária – um novo modelo de átomo

O físico austríaco Erwin Schrödinger acreditou que o modelo de átomo proposto pelo dinamarquês Niels Bohr podia ser modificado, levando-se em conta essas ondas. Elaborou, assim, a teoria segundo a qual o elétron não evoluía em torno de um núcleo, mas era apenas uma onda estacionária constante formada em torno dele.

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Princípio das Probabilidades

O físico alemão Max Born percebeu que a função de onda deveria ser interpretada em termos de probabilidades. Quando os físicos experimentais medem a posição de um elétron, a probabilidade de encontrá-lo em uma região determinada depende da magnitude da função de onda nessa região. Essa interpretação concedia ao acaso um papel fundamental nas leis da natureza.

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Princípio de Complementaridade

A representação de um elétron ao mesmo tempo como partícula e como onda levou o físico Niels Bohr a observar que um fenômeno pode ser encarado de duas maneiras que se excluem mutuamente, permanecendo válidas, em seus próprios termos, as duas maneiras de considerá-lo.

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Princípio da Incerteza

Deve-se ao físico alemão Werner Karl Heisenberg a constatação de que é impossível fazer uma determinação exata e simultânea da posição e do momento (produto da massa pela velocidade) de qualquer corpo. Quanto mais exata for uma, mais falsa será a outra. Em consequência disso, caiu por terra a visão puramente determinística do astrônomo e matemático francês Laplace, que sustentava que toda a história do universo, passada e futura, podia ser calculada se a posição e a velocidade de cada uma de suas partículas fosse conhecida a qualquer instante do tempo.

Modernamente, com base em estudos cada vez mais aprofundados, essas descobertas estão ganhando contornos de Leis Quânticas. Veja as mais comentadas:

Superposition / Superposição

As partículas podem estar em vários lugares ao mesmo tempo.

Wave – Particle Duality / Dualidade Onda – Partícula

As partículas podem se comportar como ondas, espalhando-se no espaço e no tempo.

Entanglement / Entrelaçamento

As partículas podem estar interligadas a grandes distâncias.

Bose – Einstein Condensates / Condensados Bose – Einstein

As partículas podem estar unificadas em um grande estado (de energia/matéria), regidos por uma função de onda.

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Colapso da função de onda

Aqui se revela o mais estranho comportamento dos elementos quânticos. Quando observados, os elétrons só apresentam a função ou o comportamento de partículas.  Como tenta explicar o professor de Física Amit Goswami, da Universidade de Oregon, EUA (no documentário “Quem Somos Nós” 2): “Quando não se está olhando, existem ondas de possibilidades. Quando se está olhando, existem partículas de experiência.”

 

Entenda o que era e o que está mudando, a partir das contribuições da Física Quântica ao nosso viver cotidiano:

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Visão de mundo que

prevalece até hoje

 

  • Materialista, mecanicista e determinística.
  • Dividida: a Igreja fica com o invisível, o que é oculto: a Ciência, com o que é visível e, portanto, pode ser quantificado, medido e experimentado.
  • Pré-determinada: os homens são como pequenas máquinas, operando em um universo mecânico e previsível, governado por leis rígidas e imutáveis.
  • Símbolo da ordem do mundo: o relógio (de acordo com a compreensão determinística do astrônomo e matemático francês Laplace, ao sustentar que toda a história do universo, passada e futura, podia ser calculada se a posição e a velocidade de cada uma de suas partículas fosse conhecida a qualquer instante do tempo – tese derrotada pela Física Quântica, com o Princípio da Incerteza, formulado por Heisenberg).
  • Frase que explica: A ordem é redundante.

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Nova visão de mundo

 

  • A matéria é apenas um aspecto da energia.
  • Não há como separar o visível do invisível, uma vez que somos campos de energia operando em um campo de energia ainda maior.
  • Nossa consciência, nossos pensamentos e intenções definem a realidade que queremos viver.
  • Estamos todos interconectados em inúmeros sistemas superpostos, que se influenciam uns aos outros.
  • A realidade é feita de tendências potenciais.
  • O caos é aparente porque existem padrões de diferentes níveis de complexidade a “organizá-lo” (os fractais, por exemplo).
  • Símbolo do caos do mundo: Efeito Borboleta (não se pode determinar a maioria dos sistemas por causa da chamada “dependência sensível das condições iniciais”. Usando como exemplo um sistema metereológico, uma pequena borboleta, batendo as asas na Amazônia, poderia causar um tornado no Texas).
  • Frase que explica: O caos é informativo.

 

 

Os números parecem ser muito importantes. A matemática, de acordo com o físico, astrônomo e filósofo italiano Galileu Galilei (1564-1642)  seria “o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo”. Para o filósofo grego Pitágoras (570 a.C.– 497 a.C.), o número seria sinônimo de harmonia e essência das coisas. No mundo moderno, números configurados em um código binário (zero e um) são fundamentais em nossa vida, já que compõem a estrutura lógica do mais extraordinário bem de consumo da atualidade, o computador.

A Numerologia estuda justamente esses números tão poderosos e sua influência em nosso jeito de ser. Faz isso descobrindo, basicamente, as vibrações numéricas correspondentes ao nosso nome original (com que fomos registrados), à nossa data de nascimento e, eventualmente, se for relevante em nosso histórico de vida, ao nome com que somos mais conhecidos ou que usamos como assinatura profissional. Essa é a avaliação básica da Numerologia, mas que já oferece um quadro geral muito interessante para análise.

 BARACK-hope-POSTER-OK

Sob esse prisma, vamos conhecer um pouco mais sobre Barack Obama, e ter uma ideia do que podemos esperar dele. Será que a palavra hope (esperança), transformada em ícone de sua campanha à presidência dos EUA, é de fato um bom augúrio? Que nos respondam os números:

Barack – que significa “o abençoado” em árabe – Hussein Obama Jr., o 44° presidente dos Estados Unidos, nasceu em 4 de agosto de 1961, sob a vibração do complexo, fascinante e instigante número 11, resultado obtido tanto pela soma dos valores numéricos das letras que compõem seu nome de batismo, como pela soma dos números de sua data de nascimento.

Sabe-se que os que recebem a influência do 11 tendem a estar sempre à frente, buscando antecipar as tendências do futuro. Essa vibração remete à modernidade, à originalidade e ao exotismo. Da mesma forma que corresponde a grande inspiração, a forte intuição e a idealismo. É um número associado à Nova Era, a Urano e a Aquário. Por isso, reconhecidamente evolutivo e progressista, destinado a estimular, naqueles sob sua proteção, o potencial para exercer grande influência no ambiente.

O fascinante histórico de vida de Obama parece referendar o que a vibração do 11 augurava em seu nome de nascimento, em especial as características relacionadas ao exotismo, marcante em sua infância; à inspiração e ao idealismo, que orientaram suas escolhas vocacionais, voltadas basicamente para o social e para a política.

 

Barack Obama nasceu em Honolulu, Havaí (EUA), de pai negro queniano (filho de um pastor de cabras) e de mãe branca norte-americana (nascida no Kansas e filha de um veterano da 2ª Guerra Mundial), que se conheceram quando frequentavam a universidade do Havaí. O casal se separou quando Obama tinha dois anos de idade. O pai retornou ao Quênia, tornando-se um economista de renome em seu país de origem (veio a falecer em 1982, vítima de acidente automobilístico). A mãe casou-se de novo e mudou-se com o filho para a casa do segundo marido, na Indonésia.Com 10 anos, Obama voltou ao Havaí, sendo criado por seus avós até que sua mãe retornasse aos EUA depois de mais um divórcio.

 

Em 1996 teria início sua carreira pública, com a conquista de uma cadeira no Senado estadual do Illinois, usando o nome com que efetivamente se tornou conhecido, Barack Obama, cuja soma (das letras que formam o nome) resulta em 5.  O 11 naturalmente não foi esquecido, apenas passou a ser seu background, sua base, especialmente porque também é o resultado da soma de sua data de nascimento e, nesse sentido, equivale à sua missão de vida. A vibração do 5, no entanto, passou a predominar, levando-o em sua escalada política.

Parece fazer sentido a influência deste número, porque, entre outras características, a vibração do 5 costuma trazer um grande sentido de liberdade,  de independência e até mesmo de rebeldia em quem está sob sua influência. Estimula a curiosidade, o gosto pela aventura e uma visão de mundo voltada para o progresso. Por outro lado, a percepção sensorial, característica dessa vibração, costuma trazer muita sensualidade e grande poder de sedução. Mente rápida, criatividade e versatilidade parecem ser, igualmente, diferenciais nas personalidades associadas ao 5, assim como a tendência para a falta de disciplina e o apreço por novas experiências.

Já a origem  32, do 5 de Barack Obama, estimula a facilidade para a comunicação, o poder de persuasão e a ambição por posições de liderança. O 3 e o 2 formam uma combinação harmoniosa, que costuma trazer simpatia, flexibilidade e generosidade àqueles sob sua influência, além de favorecer o amadurecimento e a elevação de propósitos. Contudo, pode provocar igualmente certa tendência à manipulação.

 

Obama venceu a eleição presidencial em  4 de novembro de 2008, aos 47 anos. Ao todo, sua campanha levantou US$ 650 milhões, contando as primárias e a disputa presidencial. Só em setembro de 2008 foram US$ 150 milhões. Doadores individuais responsabilizaram-se por 91% dos recursos. Boa parte das verbas de campanha de Barack Obama foi conseguida por meio da ajuda de celebridades, como Steven Spielberg e Oprah Winfrey, que promoveram eventos com ingressos vendidos a US$ 2.300 por pessoa (isso é o máximo, por lei, que um indivíduo pode doar para uma campanha eleitoral nos EUA).

 

O que esperar de Obama? Tendo a vibração do 11 a apoiá-lo e a do 5 a gerar estímulo para o seu cotidiano, podemos aguardar muita ousadia em sua atuação, além de entusiasmo e iniciativa para buscar as soluções mais criativas para cada tipo de problema, visando o benefício social. Uma combinação promissora, revelada pelos números, que ele pode usar ou não, dependendo de seu livre arbítrio. Se usada, atendendo à responsabilidade que lhe foi outorgada, com certeza referendará a palavra  esperança, associada ao seu nome.

 

Curiosidade – Barack Obama também tem blog: http://my.barackobama.com/page/content/hqblog

De acordo com Einstein, “algo só é impossível até que alguém duvida e acaba provando o contrário”. A história de Thomas Edison, um gênio tão criativo, determinado e autoconfiante quanto Einstein, ilustra bem esse pensamento. Veja, a seguir:

 

ThomasEdisonOKThomas Alva Edison, o famoso inventor da lâmpada elétrica, do fonógrafo, do projetor de cinema… não foi um homem que se contentasse com pouca coisa. Em 1876, com 29 anos de idade, criou o laboratório de Menlo Park, em Nova Jérsei, o primeiro nos Estados Unidos destinado à pesquisa industrial. Disse, então, que desejaria inventar uma novidade a cada dez dias. Não ficou muito longe de sua meta. Quando morreu, em 1931, com 84 anos, havia patenteado cerca de 1.300 invenções, avaliadas em 25 bilhões de dólares, recorde do qual nem sequer se aproximou qualquer outro inventor.

Ninguém diria, no entanto, que aquele rapaz pobre, sem estudos ou amigos influentes, nascido em Milan, Ohio, no ano de 1847, alcançaria fama e fortuna baseado apenas em seu próprio esforço, inteligência e engenhosidade.

Chamado de “retardado” por seu professor da escola primária por ter um jeito diferente de se interessar por tudo e de fazer perguntas, acabou estudando com a mãe, em casa. Começou a trabalhar como jornaleiro em um trem, que ligava Port Huron a Detroit, com 12 anos de idade. Aos 15, atuava como telegrafista e, com 21, fazia sua primeira invenção – um dispositivo de registro mecânico dos votos. Logo a seguir, construiu um indicador automático de cotações e o ofereceu ao presidente de uma importante firma de Wall Steet. Queria 5 mil dólares pelo invento, mas não teve coragem de pedir. Deixou por conta do cliente, o que foi muito melhor, pois recebeu 40 mil dólares.

Edison não foi um cientista, no sentido estrito da palavra. Mas soube, com muita criatividade, tirar proveito prático e útil dos avanços científicos, propiciando às pessoas uma vida melhor.

Curiosidade: Conta a lenda que Thomas Edison, ao enfrentar o desafio de obter luz por meio da energia elétrica, fez algo em torno de três mil testes para chegar aos componentes da lâmpada ideal. Os integrantes de sua equipe,  por volta do teste de número 2.500, já estavam desanimados. “Nunca conseguiremos”, reclamavam. Para Edison, no entanto, essa frase desesperançada não fazia o menor sentido. Ele preferia: “Agora sabemos 2.500 formas de não fazer a lâmpada elétrica. Estamos, portanto, muito mais próximos da solução”.

 

“O gênio trabalha com 1% de inspiração

e 99% de transpiração.”

Thomas Edison

 

impressosxinternet

Houve um tempo em que os impressos dominavam o mundo, e funcionavam muito bem. Só que dependiam de muitas etapas para se concretizarem – redação, diagramação, impressão, distribuição… Ao fim de todas elas, as notícias alcançavam os públicos de interesse, cumprindo eficazmente o objetivo de informar, orientar e esclarecer, o principal propósito das publicações corporativas, mas chegavam “frias”. Não eram mais novidade.

A notícia “quente” já teria sido divulgada, em tempo mais próximo do real, pela imprensa, pelos canais de relações públicas e propaganda, ou mesmo, se fosse o caso, por intermédio de um memorando interno.

No século XXI, a comunicação com os públicos de interesse continua tão imprescindível quanto sempre foi. Contudo, em relação aos recursos, quanta diferença…

Primeira e grande diferença: comunicação em tempo real, seja para públicos de interesse, para a imprensa ou para o público interno. Segunda: custos substancialmente reduzidos, com a utilização de recursos disponíveis na rede. Terceira: redução de quantidade e de complexidade das etapas de produção da comunicação, com a consequente diminuição de erros no processo. Quarta: quantificação de retorno da comunicação, com o apoio de instrumentos disponíveis na internet. Quinta: interatividade, significando comunicar, obter retorno e poder esclarecer, informar mais, orientar e cativar o cliente, efetivo ou potencial.

Para as empresa, os meios atuais de se relacionar com seus públicos de interesse são os próprios sites, blogs corporativos, newsletters eletrônicas, redes sociais… Informação em tempo real, baixo investimento, simplicidade na produção da comunicação, quantificação precisa do retorno obtido e interatividade.

Blogs corporativos

Conhecido como a “newsletter dos tempos modernos”, o blog surgiu por volta de 1997 e sua denominação foi cunhada pelo norte-americano John Berger, originando-se da união dos termos web (rede) e log (diário, arquivo, registro de atividades) – weblog –,  logo reduzida para blog, a partir da criativa brincadeira de um internauta, que desmembrou o termo original, transformando-o em “we blog” (nós blogamos).

O início da “onda” dos blogs ocorreu em 2000. Sete anos depois, somavam 100 milhões e, em 2008, com 1,5 bilhão de internautas contabilizados em todo o mundo, segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), calcula-se que metade deles acesse regularmente blogs.

Para as empresas, os blogs acabaram por se revelar uma excelente ferramenta de relações públicas, ajudando a fortalecer o relacionamento da organização com seus públicos de interesse estratégico – de funcionários, clientes e parceiros a mídia e consumidores em geral – e cooperando para destacá-la nos rankings de busca da rede (Google, Yahoo! etc.). E, como vimos anteriormente, com muito mais vantagens em relação às publicações impressas – como interatividade, informação em tempo real e baixo custo.

O que poderia ser melhor? Por enquanto é isso, mas, com certeza, outras novidades surgirão. Afinal, “navegar é preciso…” e não  sabemos o que mais vamos encontrar pela frente! 

Dar a volta ao mundo

viajando com as palavras

que embora em casual harmonia

aqui afloram caóticas

AquarelaIV-Londrinapersiana200entrar no rodopio

criativamente planejado

de ruas bairros prédios

cujos nomes parecem setas indicativas

de alguma maluca agência de turismo

caminhar pelo jardim Piza

passando pelas ruas

Veneza Florença Gênova

nas quais se chega trafegando

pela avenida Inglaterra

em ordem geográfica incerta

chegar a Paris Toulouse Marselha

tomando fôlego na Milão

para desembarcar em QuebecAquarelaIV-Londrinavistapredioslago200

e logo a seguir em San Diego

San Isidro San Fernando

todos próximos da Califórnia

e do sempre enigmático Eldorado

descer em frente ao prédio Campos Elíseos

que não dista muito do Monte Carlo

no centro percorrer a Rio Grande do Sul

que logicamente desemboca

na Rio Grande do Norte

enquanto Paraná e Sergipe

fluem paralelas

e no letreiro do ônibus

AquarelaIV-Londrinavistageral200que deseja de acordo com o horário

Bom Dia  Boa Tarde  Boa Noite

surpreender-se com o itinerário:

Tóquio

mais um destino impossível possível

nesta cidade globalizada

pelas palavras

 

 

 

 

Medo de escrever todos temos. E não é que há uma razão (histórica) para isso? Tudo começou há cerca de 2 milhões de anos, no período chamado de Paleolítico ou, mais informalmente, na Idade da Pedra Lascada.

Com o despertar da consciência, alguns de nossos ancestrais primatas deram-se conta de que, além do instinto, também podiam agir por vontade própria. Estimulados por essa descoberta, iniciaram um novo tipo de relacionamento com os demais seres e com o ambiente à sua volta.

homo-sapiens300okComeçaram a utilizar objetos de osso e pedra como ferramentas e armas; aprenderam a acender, a manter e a empregar o fogo e desenvolveram a fala, de forma natural, como um meio mais eficiente de se comunicar e de obter resultados.

O auge dessa fase evolutiva ocorreu cerca de 500 mil anos atrás, com o surgimento do Homo sapiens, que deu origem à linhagem do homem atual. Entre outras conquistas, esse nosso antepassado longínquo foi capaz de se fixar numa terra apropriada e dela tirar, por meio do cultivo de plantas e da domesticação de animais, o seu sustento. Também conseguiu perceber as vantagens de se unir aos seus iguais, com eles formando povoados, cidades e as primeiras sociedades organizadas.

Com o nascimento das civilizações – por volta de 4.000 a 3.000 anos a.C. -, o homem sentiu necessidade de ampliar sua capacidade de comunicação. Até então, a fala e a memória tinham sido capazes de preservar e de difundir o conhecimento acumulado pelas tribos e grupos que viviam em sociedades mais simples.

A história, os mitos, as lendas, as crenças, enfim, a sabedoria e a cultura de cada povo eram transmitidos pelos mais velhos aos mais jovens em conversas ao redor da fogueira ou em outros lugares igualmente aconchegantes ou mágicos.

O surgimento da civilização, no entanto, modificou a maneira tradicional como as pessoas agiam na realidade e interagiam com ela. As sociedades da Antiguidade ampliavam-se continuamente e havia que registrar, contabilizar, definir normas legais e de convivência social, difundi-las, fazê-las cumprir… Como conseguir isso sem um meio pelo qual a palavra falada pudesse ser convertida, de forma a tornar-se fixada e facilmente transmissível?

O desenvolvimento da escrita, em duas vertentes distintas – ideográfica e  fonética -, foi a resposta a essa nova demanda do homem em constante evolução. 

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Na vertente ideográfica, a escrita era composta por signos pictóricos (desenhos, símbolos), que representavam, conceitualmente, objetos ou ideias. Os sumérios foram os primeiros a criar um sistema de escrita pictórico, por volta de 3.400 a.C..

Na vertente fonética, os signos começaram a representar os sons,alfabetofenicio300 com os quais objetos e ideias eram conhecidos no falar típico de cada povo. Deve-se aos fenícios a criação do primeiro alfabeto, com base na representação dos sons, cerca de 1.000 anos antes de Cristo. Era constituído por 22 signos, que permitiam escrever qualquer palavra.

A engenhosa simplicidade do sistema estimulou sua rápida assimilação por outros povos. O alfabeto fenício, aprimorado pelos gregos – que nele incluíram a notação dos sons vocálicos – e difundido pelos romanos, como parte de sua estratégia de dominação, tornou-se o ancestral comum dos demais alfabetos.

E o que isso tem a ver com o medo de escrever?

Conhecendo a história do falar e do escrever, percebemos que o que nos levou a desenvolver a escrita – a necessidade de fixar o que era, até então, só falado – nos levou também a temê-la, pois “o que se escreve, fica”. Essa, por sinal, é a razão de ser da escrita!

O que falamos nas conversas cotidianas, mais dia, menos dia, cai no esquecimento. O que escrevemos, não. Fica registrado e isso, com maior ou menor intensidade para cada um de nós, acaba significando uma ameaça. Sentimo-nos mais expostos e sujeitos a críticas. Isso  pode nos “travar”, mas também pode ser encarado como um desafio, que todos somos capazes de vencer.

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Caverna360difusaoImagine-se vivendo em uma caverna, onde prospera uma comunidade que acredita ser o mundo apenas aquele definido pelos limites estreitos de seu abrigo, um lugar desconfortável, mas seguro, pela perspectiva da continuidade.

Imagine-se, agora, como alguém curioso, um pouco rebelde, que não acredita que a realidade se esgote apenas no que vê. Alguém para quem parece haver mais, no invisível, no impalpável, no que apenas se sente ou se percebe pela intuição.

Aquelas réstias de luz, que passam sorrateiras por alguns orifícios da caverna, e que até então não haviam sido explicadas por ninguém, sugerem novas e atraentes possibilidades. Por que não tentar, por que não experimentar?

Movido por essa vontade de conhecer, você vai, com muita paciência e por um longo tempo, alargando essas frestas, até que consegue sair da caverna. Primeiro, fica quase cego pela luz. Depois, quando seus olhos se acostumam à claridade, às formas, às cores, à imensidão, você se maravilha.

 

Essa mesma sensação de encantamento vem sendo compartilhada por quem começa a entender as implicações, em seu cotidiano, de um conjunto de descobertas científicas feitas ao longo do século XX e que possibilitaram o nascimento da Física Quântica, também chamada, dada a abertura de conhecimentos que trouxe, de Nova Ciência.

 

Num salto, que levou 100 anos para se completar, o determinismo, o mecanicismo e o materialismo, que caracterizavam a ciência até então, foram relegados a explicar apenas parte – o que se pode ver, medir, quantificar, determinar – de um todo muito maior.

 

Começando com as Teorias da Relatividade e Quântica, passando por descobertas muito estranhas sobre o comportamento das partículas componentes do átomo e chegando à impossibilidade da determinação exata e simultânea da posição e velocidade de um corpo, registrada no Princípio da Incerteza, os cientistas ficaram espantados. Onde esperavam encontrar respostas definitivas, acabaram deparando com explicações intrigantes, que levaram não mais a outras perguntas, mas a reflexões filosóficas.

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Afinal, constataram, tudo parece ser energia e a matéria – nossa realidade visível – retrata somente um de seus aspectos potenciais. Outro fator desconcertante foi observar que a regularidade cronológica a que estávamos acostumados – com passado, presente e futuro bem definidos em segundos, minutos e horas escoando em um único sentido – funcionava muito bem sob o ponto de vista do relógio – até então, a representação mais perfeita do padrão de previsibilidade do universo. Mas explicava apenas uma pequena parte dos fatos, sob o ponto de vista da relatividade.

 

O tempo revelou-se tão mais amplo que foi preciso reconsiderá-lo como uma quarta dimensão, e alargar nossa visão para além do restrito traçado espacial  – onde comprimento, largura e altura são passíveis de dimensionamento –, abarcando assim o abstrato conceito do contínuo espaço-tempo, em que não há uma rígida precisão cronológica, mas apenas um fluir por ondas de eventos.

 

Mas foi no microcosmo dos elementos atômicos – componentes essenciais do tecido formador da realidade em que vivemos – que as surpresas se sucederam vertiginosamente. Além de constatarem que eram os elétrons os responsáveis pela transmissão da energia entre os átomos (por meio de minúsculos “pacotes” energéticos, denominados “quanta” ou “quantum”, no singular, daí o nome Quântica), os cientistas deram-se conta do estranho comportamento das partículas – os microscópicos “pontos” de matéria que compõem a estrutura do átomo.

 

Neste mundo fundamental para a nossa existência, já que somos feitos, em essência, de somatória de átomos, os cientistas verificaram que as partículas estão entrelaçadas, interligadas, mesmo a grandes distâncias. Observaram ainda que as partículas podem se comportar, simultaneamente, como ondas (ondas de energia é o que se supõe), e estar superpostas em vários lugares ao mesmo tempo.

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Essa constatação abriria espaço para a suposição de existência de mais de uma “realidade”, além daquela com a qual estamos acostumados a nos relacionar por meio de nossos sentidos. Tanto no nível macro, do universo, levando-nos a imaginar a possibilidade de outras dimensões; quanto no nível micro, do nosso cotidiano, com a idéia de que existiriam potenciais de realidade a explorar ou, dito de outra forma, os eventos em nossas vidas não estariam predestinados a ocorrer, mas teriam tendência a ocorrer.

 

A descoberta seguinte, no nível das partículas, permitiria entender melhor o aparente enigma anterior. Ao fazer experiências com os elementos atômicos, buscando detectar quando agiam como partículas e quando se comportavam como ondas, os estudiosos foram surpreendidos – mais uma vez – com a comprovação de que só dependia deles obter um ou outro resultado.

 

Verificaram que a natureza do comportamento dos elementos atômicos se estabelecia pela expectativa expressa do observador. Onde se esperava encontrar partículas, lá estavam elas; onde se esperava encontrar ondas, também lá estavam elas. Era como se o esperado se refletisse na experiência ou, explicado de outra maneira, não existiriam propriedades objetivas na realidade, independentes da mente do observador. A esse “fenômeno” foi dado o nome de “colapso da função de onda”.

 

De tão inovador e assustador o conceito, já que exigiria uma mudança completa de nossa forma de ver o mundo, os cientistas preferiram deixar para pensar a respeito “depois” e agir de forma pragmática. Varreram a reflexão filosófica para debaixo do tapete e seguiram um dito muito popular em seu meio: “Cale-se e calcule”.

 

E foi assim, com base em muitos cálculos, que todas essas descobertas puderam ser aplicadas ao concreto do dia-a-dia, trazendo um grande avanço tecnológico. Dos transístores aos chips, passando pelos semicondutores, o desvendamento do microcosmo atômico possibilitou a revolução digital que estamos vivendo: carros com injeção eletrônica, calculadoras, relógios digitais, controle remoto, celulares, aparelhos de fax, equipamentos médicos, robôs, videocassetes, rádio-relógios, impressoras, computadores…

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No horizonte já se delineia, inclusive, a computação quântica, que vai se valer da manipulação de átomos, moléculas e suas partículas subatômicas para processar informações. A eletrônica molecular ou “moletronics”, como está sendo chamada, prevê o desenvolvimento de superchips do tamanho de grãos de areia e até cem bilhões de vezes mais rápidos do que o mais rápido processador do momento.

 

Mas será que vamos nos contentar com isso? Fazer cálculos e aplicá-los na tecnologia ? Esquecer que essas descobertas estão tentando nos mostrar que há mais do que matéria? Que o que não se vê, não se pega, não se mede, nem se quantifica, pode nos explicar melhor o que é a vida? Que não estamos à parte do todo, mas que somos parte do todo e, por isso, interconectados uns com os outros em uma grande rede de energia? Que o mundo pode ser melhor, desde que nos disponhamos a viver a mais positiva das realidades disponíveis? Que não estamos sujeitos ao acaso, mas comandamos nossas próprias vidas, definindo as experiências que queremos ter?

 

Sair da caverna não é fácil, mas o novo mundo que nos espera lá fora bem compensa a coragem e o esforço necessários para, pelo menos, dar uma espiadinha.

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